DELRIO 60 ANOS DE HISTÓRIA

Uma narrativa de José Luiz Melo sobre seu pai, Manoel Tabajara Melo

Ele era da família Ribeiro Melo, sobrenomes que ele herdara do pai dele, que era da região de Crateús, ligados aos Melo Mourão. Esta família tinha várias nascentes. Papai nasceu no Ipu, isto porque à época o pai dele era primeiro suplente de Juiz de Paz.

Eu tenho o documento da nomeação do meu avô como juiz de paz, assinado pelo presidente do Brasil, Epitácio Pessoa.

Depois do nascimento de meu pai a família retorna para Crateús, onde com o passar do tempo meu pai entraria na atividade comercial, um misto de indústria e comércio, em condições de fabricar aguardente, conhaque, moscatel, etc. Até ai nada de guaraná. Em termos de bebidas, ele tinha as fórmulas e assim era capaz de fazer qualquer tipo de bebida alcoólica, ou seja, tudo o que ele sabia fazer. Era uma indústria pequena e com pouca gente trabalhando. Ele mesmo fabricava as bebidas. Ele também teve comércio entre o interior do Piauí e Crateús.

No primeiro casamento foram 13 filhos, e nove no segundo. Eu sou do segundo casamento. Do primeiro casamento não tem ninguém vivo. Imagine que eu sou um dos caçulas e estou com 75 anos. O pessoal do primeiro casamento era da idade da segunda mulher dele, minha mãe, que se fosse viva estaria com 107 anos,

Quando comerciante e industrial em Crateús, papai sempre vinha a Sobral, onde já era cliente do meu avô, Luiz Gonzaga Madeira, pai de minha mãe, e que era ourives. O meu avô tinha três filhos, sendo duas mulheres. Papai já observava a postura daquela que seria minha mãe, e que se chamava Margarida. Ele sempre trazia encomendas para o vovô fazer os serviços. Eram cordões de ouro, Filho de Maria e outras peças.

Papai ficara viúvo em Crateús. À época, dos seus 13 filhos, somente seis viviam. A necessidade de uma companheira o levou a escrever uma carta (a qual se encontra até hoje em meu poder), onde ele pedia a mão de mamãe em casamento, isso sem nunca haver namorado com ela um só dia. Na carta ele esclarecia que desejava casar em até 30 dias, e que a noiva não precisaria se preocupar com enxoval. Eles se casaram em 1929.

Eu nunca conversei com o meu pai, isto porque quando ele morreu, em 1953, eu tinha apenas 12 anos de idade.  Àquela época muitos pais não davam atenção às curiosidades das crianças.

Bem diferente das crianças de hoje, elas não interagiam com a família. A indiferença acontecia também com a esposa. Um exemplo é que quando chegava uma visita ela ia fazer o café, mas não se metia na conversa, que era de homem pra homem. Eu nunca conversei com o meu pai. E hoje, eu lamento não dispor de nenhum relato de diálogo com ele.

Minha mãe falava do caráter dele: era católico, e também Vicentino. Metade dos meus irmãos é vicentina por conta disso. Quando eles casaram vieram morar em Sobral e trouxeram a pequena indústria. O restante do patrimônio que fora construído em Crateús fora vendido.

Aqui ele passou a comprar imóveis, priorizando a região que fica entre a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Ali era o prédio onde ele montou a Fábrica, e onde também adquiriu vários imóveis, os quais depois ele teve que vender por causa da saúde.

A razão social era M. Tabajara & Filhos. O papai era Manoel Tabajara Melo. Nós ainda temos rótulos, que irão sair na revista, ainda com o endereço na Rua Cel. José Saboia, onde mais ou menos hoje está o Florismundo Oliveira, que vende peças eletrônicas e de rádios, próximo ao 5º Cartório, chegando à Av. Dom José. A fábrica do papai era a Santa Catarina. Até hoje nós não sabemos o porquê de Santa Catarina.

Com essa indústria implantada, papai adquiriu uma máquina pequena (essa que se encontra no jardim da DELRIO de hoje), para engarrafar refrigerantes. Esse fora o início da fabricação de refrigerantes, tudo isso em Sobral, no ano de 1929.

O primeiro refrigerante de guaraná produzido na fábrica foi o Solimões. Por conta de que naquele tempo o “extrato do guaraná”, ou seja, o puro guaraná vinha do Amazonas.

A semente do guaraná é nativa do Amazonas. Ninguém a plantou. Era originalmente do Amazonas. Inclusive, ainda hoje, nós somos clientes da indústria da essência da época do papai. Eu tenho uma “duplicata”, ou promissória do passado de 1945 das Indústrias Reunidas Jaraguá, de Santa Catarina de quem éramos e somos cliente até hoje. Ela tinha uma logomarca de duas rodas (Indústria Duas Rodas) e hoje tem outros refrigerantes e sorvetes e derivados.

Devido o avanço da idade, papai já estava com a saúde comprometida, e nenhum filho do primeiro casamento assumiu nada. Nós do segundo éramos crianças. Em 1945, eu tinha quatro anos, o Antonino tinha sete anos. O Paulo, também era garotão. Ele era só. Dos filhos do primeiro casamento dois foram ser religiosos e um foi para o Exército. Naquela época você fazia o Tiro de Guerra e ia para São Paulo, Rio de Janeiro ou para o Norte do Brasil. Aqui não se pagava salário e não tinha emprego. Você fazia o Tiro de Guerra e depois tinha que procurar um centro em busca de emprego condigno.

Ele vende a indústria, e depois que estava fora do ramo fora convidado pelo empresário José Maria Arruda Coelho, para orientar e montar essa pequena fábrica, à qual ele dera o nome de Fábrica Guaraná DELRIO, isto por conta de um romance que ele lera e que tinha uma família com esse sobrenome de DELRIO, que é de origem espanhola. Em castelhano se diz Del RIO. Inclusive no começo a gente usava separado. Como até hoje a indústria de peça íntima usa.

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José Maria Arruda

Era um comerciante muito “vivaz” e que gostava de desafios.  Ele era pai do Hélio Arruda Coelho, fundador da Indústria de Massas e biscoitos, empreendimento esse que ele dera apoio e orientara para que o filho pudesse tocar, tal qual como se deu entre papai e nós.  O empresário José também tinha a indústria de cigarros Araquém, em Fortaleza, e vendia pra toda zona norte.

Papai pôs a fábrica para funcionar, ensinou a fórmula, e em troca o José Maria Arruda empregou o Paulo, nosso irmão mais velho, o pai de Moacyr, Ricardo e Andréia. Esse foi o pagamento que papai exigira em troca da assessoria que prestava na instalação da fábrica.

A nova fábrica fora instalada no entorno da Praça do Grupo Professor Arruda, mais precisamente nos fundos da casa do proprietário, local em que hoje está a Pracinha do Amor.

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A segunda geração

Quando aconteceu o fim do inventário do papai houve uma renúncia de alguns da família no momento da partilha dos bens. Nós os filhos ficamos com dois imóveis: um destinado à viúva e as crianças, e outro que fora vendida para dividir com os outros herdeiros do primeiro casamento. Só que alguns herdeiros do primeiro casamento abdicaram da herança em favor da viúva e dos irmãos menores. Com essa estória o imóvel foi vendido por $ 250 Mil Cruzeiros, ficando $ 160 Mil Cruzeiros para mamãe e os filhos menores. Era esse o dinheiro com o qual a gente iria tentar montar uma fábrica de refrigerante, já que o Paulo sabia fazer de tudo numa fábrica. Então a gente começou a instalar uma pequena indústria e já estava comprando garrafas. Naquele tempo tinha a estória de comprar garrafa do pessoal que as apanhava pela cidade. No passado tinha esse tipo de atividade que hoje não existe mais.

Quando nós já estávamos começando a construir a fábrica, na metade da casa de minha mãe, que era muito grande, José Maria Arruda vendo o Paulo saindo de sua fábrica para se juntar aos irmãos se viu incapaz de tocar a sua fábrica sozinho. Ele sabia que ficaria um vazio na produção, isso porque o Paulo é que tinha o contato com os clientes, e nós íamos fazer um refrigerante com outro nome, mas com o mesmo sabor.  Então, ele resolve nos vender a fábrica.

No ato da venda ele disse: “Paulo vocês ficam aqui por dois anos”. E nos cobrou um aluguel de dois contos de réis. Nós precisávamos de um tempo por lá, até que conseguíssemos adaptar a fábrica ao terreno da casa de mamãe, que tinha uma grande área.

Naquela época as casas tinham quintal enorme. Tinha casa aqui em Sobral que o quintal ia de um lado ao outro do quarteirão.

No início da fábrica, em 1956, tínhamos sete funcionários. Mesmo assim o crescimento foi invevitável, justificado pela qualidade do produto e o comportamento da empresa perante o mercado, sempre honrando os compromissos de forma fidedigna. Com a morte de Paulo, em 1993, ele que era o maior acionista da firma, o comando ficou com a viúva, Inês Andrade Melo e seus três filhos: Ricardo, Andréia e Moacyr, este o caçula, e que atualmente está à frente da direção administrativa. No início Ricardo sugeriu a ele, e Moacyr aceitou ficar com a parte comercial da “Indústria e Comércio” e a Fábrica DELRIO ficou só com a industrialização de dois sabores de refrigerantes: guaraná e laranja. Assim, a partir de 1994, a empresa passou a ser gerida pela família do Paulo e eu, só que a minha participação a partir de então se deu como funcionário, já que eu havia saído da condição de sócio da empresa em 1984.

No âmbito do comércio se vendia todos os tipos de bebida. Por exemplo: a gente vendia para uma festa de casamento ou bodas, do refrigerante ao uísque importado além de água mineral de todas as marcas. Inclusive teve tempo que nós vendíamos todo tipo de refrigerantes, como Coca-cola e outras marcas. A parte comercial tinha tudo para eventos. Tudo isso na gestão do Moacyr. Era outra firma separada, que no início era “Paulo Melo & Irmãos”, mas que depois foi tirado o nome de todos e passou a ser “DELRIO Indústria e Comércio de Bebidas Ltda.”

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O sangue novo

O ingresso dos filhos de Paulo deu um grande impulso à empresa, uma vez que eles resolveram ousar, inovar, tipo ampliando e modernizando a produção, incrementando a marca através do marketing e expandido mercados. Dentro dessa nova dinâmica advinda da força jovem, nós passamos a utilizar a embalagem Pet.

Quando os meninos entraram no negócio em 1994 a fábrica funcionava ao lado da Escola São Francisco, hoje, o Supermercado Pinheiro.

No início ficou todo mundo na fábrica. Há alguns anos Ricardo saiu para uma atividade fora de Sobral, porém continua sendo sócio e participa de todas as reuniões da empresa, assim como os demais irmãos. O Moacyr, que no início optou por ficar com a parte comercial, volta para fábrica. Essa parte comercial não correspondeu às suas expectativas. Encerrando a atividade comercial ele passou a cuidar da indústria com o Ricardo. Aí ficamos eu, (José Luis), Ricardo, Moacyr, Andréa.

A  transferência para o distrito industrial

A transferência do Centro para o distrito industrial justificou a necessidade que já tínhamos por conta da exigência de moradores e entidades do entorno. O colégio já se queixava da fumaça da lenha, que era apenas lenha, nada tóxico, mesmo assim eram muitas as reclamações. A gente vivia subindo a chaminé para atender a direção do colégio São Francisco. Aquele terreno do Boulevard João Barbosa nós adquirimos dos Frades Capuchinhos. Na época eles venderam algumas coisas em Sobral, Juazeiro e Canindé, que eram da mesma ordem, e sanaram um problema que tinham em Fortaleza junto ao Banco do Brasil.

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DELRIO na era Pet

Com a nova fábrica adentramos na era Pet. Por conta da vantagem do empréstimo para novas empresas, criamos a atual e entramos de vez no sistema, primeiro produzindo refrigerantes de guaraná e laranja em garrafas de dois litros. Começamos fazendo com o plástico o que já fazíamos com o vidro, isso em relação aos sabores. Aí depois vieram outros 8 novos sabores.

O ingresso na modalidade Pet é atribuído ao Ricardo, que dentro de uma visão mais acurada quanto às necessidades do mercado viu como viável esse incremento na DELRIO e daí passou a buscar as condições para adquirir o sistema.

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Ampliando e modernizando o projeto

A área construída de que dispúnhamos só contemplava a embalagem pet, onde a gente estava ainda deslanchando, por isso tivemos que ampliar lá no Bairro Padre Palhano, ao que chamamos, hoje, o anexo do Bairro Sumaré. Nós ampliamos a construção e nos mudamos pra lá há uns oito anos, quando aglutinamos com a indústria de vidro. Quem nos possibilitou montar a Pet foi o pequeno empréstimo feito no Banco do Brasil, à época menos de  R$ 1 milhão, cerca de R$ 700.000,00 e a venda de imóveis que a gente tinha para colocar a indústria de pet em funcionamento. Essa ajuda financeira do Banco foi uma pequena parte, já que a maioria do recurso viera do vidro da indústria menor.

A expansão maior veio com a embalagem descartável (a pet), que não tem retorno. A embalagem de vidro requer mais investimento por parte do cliente, acabamos tendo que emprestar a embalagem para poder facilitar a venda.

Essa nova era adveio com a entrada dos meninos, ou seja, com os mais jovens. A velha geração já não tinha saúde para tamanha ousadia.

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Novos sabores e o mesmo compromisso

A fábrica tinha somente dois sabores. Hoje são 10 sabores, além do mais tem o suco, o energético, vários volumes de refrigerantes, ou sejam, 300 ml, de 1 litro, 2 litros, etc. No passado eram apenas dois tamanhos: o vidro de 190 ml e 290 ml (um copo e dois copos). Então teve a época que a febre era de dois copos e se passou a vender o pequenininho que era o de 190 ml, mais pela influência.

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Histórico da concorrência

Quando a Coca-cola abriu em Sobral, ela passou a vender o 290 ml, quase à metade do preço que no passado vinha de Fortaleza. A gente achava até que ia mudar de ramo. O Paulo tinha a idéia de mudar de ramo, pensava em colocar um mercadinho ou uma farmácia no lugar da DELRIO, porque a empresa era pequena, e porque achava que uma Coca-Cola que antes era vendida duas vezes mais cara do que nós e, de repente passa a ter o preço do DELRIO, isso seria para nós, uma concorrência estúpida com um refrigerante de conceito mundial.

A fábrica Coca-cola em Sobral era de um cidadão de Cariré, que foi gerente do depósito da Coca-Cola de Sobral por vários anos e juntamente com um amigo conseguiu a concessão, vindo a instalar uma fábrica. E não era uma fábrica pequena, pois engarrafava 2000 a 3000 garrafas por hora. Eles abriram aqui e com o entusiasmo deles na época abriram uma fábrica em Fortaleza, de outros tipos de refrigerantes, pois, coca-Cola não podia. Essa fábrica de Fortaleza foi à falência, levando consigo a de Sobral.

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A união pela força

O que foi essencial, marcante e decisivo para que a DELRIO se mantivesse de pé e não precisasse mudar de ramo quando se viu ameaçada por uma multinacional como a coca-Cola, acredito que foi a união da família e trabalho. Muito trabalho, sem ostentação e sem direito a passar fins de semana em lazer no Rio de Janeiro. Nós temos exemplos de empresários que brincaram demais com o dinheiro de empresa, a partir de Fortaleza, e fomos testemunha ocular do fechamento de seus negócios, simplesmente quando eles pensavam que estavam  ricos.  É aquela história: quando você acha que está rico, você começa a empobrecer. Se tivéssemos desajustado, naturalmente, poderíamos ter acabado no início ou na metade da história. Nós fomos comedidos toda vida e até hoje. Além da união e trabalho é não gastar mais do que ganha.

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O compromisso com a qualidade do produto e sua marca

Nós temos visto em nosso país, que quando a coisa está tendo boa aceitação aí começa o industrial a querer ganhar mais, diminuindo a qualidade para obter mais lucro. Isso nós nunca fizemos. Para que se tenha uma idéia, nós consumimos cinco mil sacas de açúcar por mês. No entanto, se chegar uma carrada de açúcar na DELRIO, e se o açúcar não for de primeira a carrada volta. O cara se vira para vender para outro. A empresa só trabalha com produto de primeira, que é para a qualidade não cair. Hoje nós temos controle de qualidade feito por funcionários qualificados, além de técnico químico, técnico de segurança, e de todas as demais exigências de uma indústria moderna. Assim a DELRIO está equiparada para atender um público cada dia mais exigente. Nós somos muito mais fiscalizados, não só pelo fisco fazendário, mas pelos órgãos que nos fiscalizam e nos exigem. Nós estamos totalmente em dia com as exigências que visam à melhoria na qualidade do produto, e preocupados em sermos melhor sempre.

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A participação que gerou uma história de sucesso

Eu sou o único que conseguiu chegar aos 60 anos na DELRIO. Paulo quando faleceu já tinha mais de 40 anos no ramo. Antonino se afastou da DELRIO, quando entrara a nova geração, e foi para atividade imobiliária. E eu, como falei, mesmo saindo da sociedade, não deixei de ser funcionário da empresa. Estou com 75 anos de vida, senão eu não teria 60 anos de DELRIO, agradecendo a Deus por esta existência.

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O orgulho de ser DELRIO

Eu tenho um pequeno orgulho! Este é o de ver os produtos DELRIO em várias cidades do Ceará. Crescer é uma coisa muito salutar, apesar de que faz com que a gente passe a se preocupar com as gerações futuras. É preciso conscientizar os garotos da família de hoje, e que amanhã irão trabalhar na DELRIO, para que tenham a mesma filosofia com a qual administramos a empresa até hoje. Inclusive, já tem gente escrevendo livros e livros sobre Firma Familiar. Agora mesmo, em Fortaleza, um cidadão lançou um livro sobre “Empresa Familiar”.  Ao menos 95% ou mais das empresas brasileiras são dentro da família. Há quem diga que o brasileiro não confia no outro e não se associa a outro, a não ser as grandes empresas que tem uma metodologia macro.

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A solidez garantindo a projeção

É muito difícil você chegar onde nós chegamos. Isso nós temos que agradecer sempre a Deus. Numa relação duradora alguém tem que ter ouvido moco. É como um casamento: para se viver bem tem que os dois se ajudarem, senão papoca antes ou na metade. Não há continuidade se os dois lados não se ajudarem. Por onde entra o interesse financeiro é muito difícil você conseguir essa harmonia. E isso temos conseguido até hoje. Nunca tivemos desavenças, uma discussão, uma bobagem, isso é normal. Quando um dos sócios se afastou, não se precisou mexer com a empresa, pois ela tinha gorduras, ou seja, imóveis, sem prejudicar o capital de giro. A gente era pequena, mas o lucro era imobilizado. Esses imóveis serviram para a construção da nova fábrica lá fora da Cidade, serviram para dar a parte do sócio que pediu pra sair por causa da idade, e depois tinha outras atividades. E isso em nada alterou a vida da DELRIO, que foi sempre crescente, embora esteja mais ativa e com mais visão agora. Sempre houve uma pequena evolução e nunca relaxamos a qualidade do produto.

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O crescimento justificando o trabalho

Essa coisa de continuar pequeno, muito embora o Paulo tenha aprendido com um amigo seu, um industrial de São Paulo, que é preciso continuar pequeno, a garra do nosso pessoal não permitia a timidez e o crescimento se tornou uma constante, aquele conselho do industrial, queria dizer que a gente iria concorrer com outras marcas e que era preciso ter cautela para não ser atropelado no mercado.

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O que esperar do futuro

Eu penso que não devo nem falar em futuro, porque eu tenho 75 anos. Isso fica para os meninos. Eu acho que a gente poderia já começar a pensar numa estabilidade, isto é porque na hora que a gente incomodar poderá ser afetado.

O que mais me chama a atenção nesse momento, é a garra com que a nossa empresa consegue manter-se no mercado com tanta turbulência como o atual. Aliás, todo o país está em turbulência, a começar pela economia.

A DELRIO, felizmente, não está sendo afetada, mas sim, investindo em tecnologias e expandido mercados. Isso comprova a ampla visão que se tem do mercado e da possibilidade de crescer mesmo quando tudo parece ser difícil.

Olhando nosso parque industrial, o vai e vem de centenas de funcionários, a modernização, a movimentação dos caminhões chegando com insumos e levando produtos, concluímos que a semente de Manoel Tabajara Melo germinou e deu frutos de prosperidade.

Seria muito bom se o tempo houvesse permitido que os irmãos, o sete funcionários do início e também os clientes pudessem partilhar este presente em que comemoramos 60 anos de DELRIO. Não tenho dúvida de que todos afinariam o sentimento, que não seria outro senão o de que tudo valeu à pena.

2 comentários em “DELRIO 60 ANOS DE HISTÓRIA

  1. Boa noite
    Sou colecionador da garrafas antigas de vidro de refrigerantes brasileiras e da sua marca Del Rio só possuo estas com serigrafia colorida, gostaria muito de conseguir estas de alto relevo e serigrafia monocromática que aparecem nas fotos do seu Site . Voces tem destas ainda disponíveis que poderiam me vender? Aguardo retorno mesmo que negativo, muito obrigado pela atenção, Wilson Wathsaap 011 972810550.

  2. Boa noite
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