ENTREVISTA: ANTONINO MELO

Antonino Melo na primeira pick up da fábrica Delrio

A PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA

De acordo com Antonino Melo, os 34 nos de sua permanência na fábrica o tornaram testemunha ocular de toda a evolução do guaraná DELRIO em Sobral.

Perguntado sobre a avaliação que faz acerca de sua permanência na DELRIO durante 34 anos, ele diz ter sido muito importante fazer parte dessa saga e ter-se dedicado ao crescimento do empreendimento da família.

Como foi o começo da saga DELRIO com a família Melo?

Iniciamos as atividades no dia 18 de junho de 1956, numa fábrica de fundo de quintal, que funcionava no entorno da Praça Professor Arruda, hoje conhecida como Pracinha do Amor. Era uma microempresa, um pequeno negócio, do qual as mercadorias eram transportadas até os clientes em lombo de jumentos.

Onde se localizava essa fábrica?

A localização inicial foi em um prédio alugado, onde funcionou por dois anos, indo em seguida para o primeiro prédio próprio, construído no quintal da casa dos nossos pais, na Rua Coronel Antonio Mendes Carneiro. A casa dos pais era na Rua Domingos Olímpio. Em 1958 os negócios passaram a funcionar sede própria e ai começou o crescimento, propriamente dito.

O senhor sabe precisar quantos funcionários havia nessa fábrica?

Bom, na primeira fábrica nós dispúnhamos de seis funcionários. Quando mudamos para o novo prédio esse número dobrou. 

Quanto tempo durou essa permanência?

A permanência na Antonio Mendes Carneiro se deu de 1958 a 1977, quando houve a mudança para o Boulevard João Barbosa, onde hoje é o Pinheiro Supermercado. Foi o terceiro endereço.  Ali já se podia contar com 30 funcionários. Essa permanência ocorreu de 1977 até a mudança para o Distrito Industrial.

Como eram distribuídas as tarefas entre os irmãos?

Sobre a composição da diretoria, esta começou com apenas dois precursores, que foram eu e meu sócio majoritário Paulo, que falecera em 1993. Com a morte deste, Zé Luis, assumiu os negócios e está na empresa até hoje. Por um período ele deixou a fábrica e foi morar em Fortaleza. Dai entrou o Luis Gonzaga. Depois o Zé Luis voltou para a fábrica, onde permanece até hoje.

Eu estive na fábrica de 1960 – 1994, 34 anos, portanto. Paulo era o que  mais ficava na fábrica, isso porque entendia um pouco de máquinas, conseguindo reparar a maioria dos defeitos apresentados. Eu ficava na parte financeira e administrativa, enquanto que o Zé Luis ficava mais na parte das vendas, já que se relacionava melhor com a clientela. Na verdade ele acabava fazendo nossas relações públicas.

Como foi a aceitação do produto no início?

No começo nossa maior clientela era formada por bodegueiros dos bairros. Estes recebiam inicialmente seus produtos transportados em lombos de jumentos. Depois passamos utilizar carrinhos de mão, bicicletas cargueiras. Um jumento só suportava três caixas. O carrinho, por sua vez, já comportava de oito a 10 caixas de refrigerantes. Na ordem de sucessão e evolução, vieram as bicicletas, que transportavam quatro caixas, e, depois, veio o transporte motorizado.

O senhor consegue se lembrar desses transportes motorizados?

O primeiro carro foi comprado em 1958. Antigamente você adquiria um carro Ford e cerrava as laterais para improvisar uma carroceria. Era um caminhãozinho importado. Esses carros eram usados na cidade como taxi, e também por pessoas que tinham atividades de fazenda, sítio etc. Naquele tempo o sertão dava muitas coisas para a cidade. “A gente transformava o carro em caminhão, cerrando as laterais do carro na parte de cima e fazendo uma carroceria de madeira. Esse foi o primeiro carro.

Já o segundo era uma camioneta Ford (um automóvel do ano de 1937, adaptado para camioneta). Depois adquirimos uma Camioneta HYPERLINK. Essa nos deu muito problema, muita oficina, até que um dia, o próprio mecânico da oficina ao dar um passeio a virou.

Uma despesa grande! Levamos para Fortaleza e nos desfizemos do veículo vendendo-o. Finalmente, veio o primeiro veículo novo Uma Ford F-100 1960, zero quilômetro, comprado por $ 1 milhão e 300 mil cruzeiros, no ano de 1960.

Como o senhor resume sua permanência de 34 anos na DELRIO?

Eu me tornei uma testemunha ocular da história, passando pelas dificuldades e vendo o projeto do nosso pai evoluir com a integração da família.

Felizmente a empresa conseguiu superar os percalços de várias décadas e se manter firme no mercado. Não é fácil chegar a tanto tempo e ter tantas estórias para contar.

O sucesso da DELRIO vem primeiro da união da família, depois da qualidade do produto e, em terceiro lugar da forma honesta e sincera como todos nós nos comportamos perante o mercado e sociedade em geral.

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